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CID da candidíase: códigos e quando usar

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Publicado: agosto 18, 2026
Prontuário com código CID B37 destacado

O que é CID e por que importa

Definição de CID

CID significa Classificação Internacional de Doenças. Trata-se de um sistema padronizado que codifica diagnósticos, sinais e causas de morte. Dessa forma, o CID permite registrar de modo uniforme o diagnóstico de candidíase em prontuários, bases epidemiológicas e sistemas de faturamento.

Por que o CID é usado em saúde

O uso do CID ajuda profissionais e instituições a comunicar o diagnóstico de maneira clara e comparável. Além disso, o código facilita a coleta de dados para vigilância, estatísticas e reembolso. Em resumo, o CID não substitui a descrição clínica, mas complementa-a de forma objetiva.

Diferença entre CID e diagnóstico clínico

O diagnóstico clínico descreve sinais, sintomas e achados do exame que justificam a suspeita ou confirmação de candidíase. Por outro lado, o CID é a forma codificada desse diagnóstico. Portanto, no prontuário, inclua a descrição clínica seguida do código CID mais apropriado.

Nota: este texto explica o uso do código; não orienta tratamento.

Códigos CID-10 mais usados para candidíase

B37.0 – Candidíase oral (angina, sapinho)

B37.0 cobre candidíase da mucosa oral e da orofaringe. Use esse código quando o registro clínico documentar lesões típicas na boca ou diagnóstico laboratorial localizado na cavidade oral.

B37.3 – Candidíase vulvovaginal

B37.3 refere-se à candidíase da vulva e da vagina. Esse código é aplicado quando o prontuário descreve prurido vulvar, corrimento compatível e/ou exame que confirme presença de Candida na região genital.

B37.7 – Candidemia

B37.7 indica infecção invasiva com fungemia por Candida, isto é, presença de Candida no sangue. Use-o quando hemoculturas ou diagnóstico laboratorial e documentação clínica suportarem infecção sistêmica.

B37.9 – Candidíase, não especificada

B37.9 se aplica quando o local da infecção não está especificado no registro. Contudo, sempre que possível, escolha uma subcategoria mais específica (por exemplo, B37.0 ou B37.3) em vez de usar o não especificado.

Observações sobre subcategorias e códigos combinados

O capítulo B37 cobre diversas manifestações por locais anatômicos. Em muitos casos, codifica-se a condição principal e, quando relevante, adicionam-se códigos que descrevam comorbidades ou complicações. A seguir há uma tabela resumida com os códigos mais usados.

Código (CID-10)Descrição curtaQuando usar (exemplo)
B37.0Candidíase oral (mucosa oral, orofaringe)Lesões brancas na língua ou mucosa, bebê com sapinho documentado
B37.3Candidíase vulvovaginalPaciente com prurido vulvar e corrimento típico confirmado
B37.5Candidíase do trato urinárioIsolamento de Candida na urina com quadro sugestivo
B37.7Candidemia (infecção sistêmica por Candida)Hemocultura positiva ou documentação clínica de fungemia
B37.9Candidíase, não especificadaDiagnóstico registrado sem local definido

Além disso, verifique sempre se há subcategorias locais (por exemplo, B37.1, B37.4) que melhor descrevam a apresentação. Quando possível, prefira a especificidade para clarificar o atendimento e a codificação.

Quando e como registrar o CID no prontuário e atestados

Informações essenciais no prontuário

Registre sempre: descrição dos sinais e sintomas, local afetado, resultados de exames relevantes (microscopia, cultura, hemocultura) e o código CID escolhido. Dessa forma, o registro fica completo e defensável em auditorias ou consultas posteriores.

Nível de especificidade mínimo

O nível mínimo aceitável é indicar o local da infecção quando conhecido (por exemplo, “candidíase vulvovaginal”) e o código correspondente (B37.3). Se o local não estiver claro, anote as evidências disponíveis e use B37.9 apenas enquanto não houver definição.

Frases modelo para atestados e relatórios

Abaixo seguem frases neutras, adequadas para atestados e relatórios. Use linguagem factual e curta.

  • “Paciente avaliada por queixas de prurido vulvar; diagnóstico: candidíase vulvovaginal (CID B37.3).”
  • “Recém-nascido com lesões brancas na mucosa oral; diagnóstico provável: candidíase oral (CID B37.0).”
  • “Internado com hemocultura positiva para Candida; diagnóstico: candidemia (CID B37.7).”

Essas frases servem como modelo e devem ser adaptadas ao contexto clínico registrado. Além disso, sempre inclua a data e o nome do profissional que registrou o diagnóstico.

Checklist rápido de codificação (passo a passo)

  1. Identificar se há sinais ou sintomas compatíveis com candidíase (localização e características).
  2. Registrar resultados de exames: microscopia direta, cultura, hemocultura, ou outro exame que confirme a presença de Candida.
  3. Determinar se a situação é colonização, infecção superficial localizada ou infecção invasiva.
  4. Escolher o código B37.x mais específico disponível que descreva o local e a gravidade.
  5. Adicionar códigos secundários que expliquem predisposição ou complicações (por exemplo, imunossupressão, uso de dispositivo intravascular, sepse) conforme documentação clínica.
  6. Conferir a tabela CID-10 vigente e as regras locais de codificação antes de finalizar o registro.

Erros comuns na codificação e como evitá-los

  • Uso indevido de B37.9 por falta de especificação: evite quando o local está descrito no prontuário.
  • Confundir colonização com infecção: documente sinais inflamatórios ou sintomas para justificar código de infecção.
  • Não registrar achados laboratoriais que sustentem candidemia: inclua data e resultado da hemocultura.
  • Não codificar condições predisponentes relevantes como diagnósticos secundários, o que pode reduzir a clareza clínica e epidemiológica.

Casos especiais e considerações práticas

Neonatologia

Em recém-nascidos, descreva idade, manifestações clínicas e achados de exame. Use B37.0 para sapinho comprovado e registre quaisquer fatores de risco (prematuridade, uso de antibióticos) como diagnósticos secundários conforme documentação.

Gravidez

Na gestante, documente explicitamente se a candidíase é vulvovaginal e se houve impacto obstétrico. Mantenha B37.3 como código principal se for a condição que motivou a consulta, e anote a condição obstétrica como diagnóstico adicional quando relevante.

Dispositivos e infecções associadas (cateteres, próteses)

Quando houver evidência de infecção associada a dispositivo intravascular, registre candidemia (B37.7) como principal e acrescente o código que descreva o dispositivo ou a infecção associada, conforme normas locais de codificação.

Colonização versus infecção

Isolamento de Candida em culturas de superfície sem sinais clínicos geralmente representa colonização. A codificação de candidíase deve acompanhar evidência clínica de infecção; sem ela, registre achados laboratoriais como resultado, mas evite classificar automaticamente como infecção.

Tabela comparativa: indicadores/documentação para escolher o código

CódigoIndicadores clínicos chaveExame que reforça o código
B37.0Plaques brancos na mucosa oral, dor, recusa alimentar em lactentesMicroscopia direta ou cultura da cavidade oral
B37.3Prurido vulvar, corrimento espesso, inflamação localExame especular, swab e cultura vaginais
B37.7Sinais de infecção sistêmica, instabilidade hemodinâmica, febre persistenteHemocultura positiva para Candida
B37.9Diagnóstico genérico sem local definidoUsar somente temporariamente; buscar especificação

Exemplos clínicos e casos comuns

Mulher com vulvovaginal não complicada

Paciente adulta apresenta prurido vulvar, corrimento espesso e exame especular compatível com candidíase. Se o resultado do exame confirma Candida ou o quadro clínico é clássico, o código que descreve melhor a situação é B37.3. A justificativa é a localização genital documentada.

Bebê com candidíase oral

Bebê atendido por placas esbranquiçadas na língua e mucosa oral; o registro descreve achado típico e, se necessário, confirmação laboratorial. Neste caso, registre B37.0, especificando a idade e as características das lesões para contextualizar o diagnóstico.

Paciente internado com candidemia

Paciente em unidade de terapia intensiva com hemocultura positiva para Candida e sinais clínicos de infecção sistêmica. Use B37.7 como código principal e documente evidências laboratoriais e clínico-evolutivas que sustentem a escolha.

Quando o CID muda: complicações e comorbidades

Infecção sistêmica e candidemia

Quando a candidíase atinge corrente sanguínea, o código muda para refletir infecção invasiva (por exemplo, B37.7). Além disso, se houver sepse documentada, registre também o código correspondente à sepse para refletir a gravidade clínica.

Pacientes imunossuprimidos

Em pacientes com imunossupressão, mantenha o código de candidíase como diagnóstico principal quando for a condição que motivou o atendimento, e adicione códigos que representem a condição de base (por exemplo, neoplasia ou uso de imunossupressores). Isso explica o contexto e auxilia na análise de risco.

Codificação de condições associadas

Codifique sempre a condição principal que motivou o atendimento e registre como diagnósticos secundários as comorbidades relevantes. Por exemplo, candidemia como principal e a condição que predispunha (cateter venoso central, neutropenia) como secundária, conforme documentação clínica.

Boas práticas para registro e auditoria

  • Mantenha notas objetivas: descreva o que foi observado, sem interpretações vagas.
  • Inclua datas e responsáveis por cada registro e exame.
  • Atualize o código se surgirem resultados que mudem a apresentação (por exemplo, cultura confirmatória ou negativa).
  • Em processos de auditoria, apresente prontuário e exames que justifiquem a codificação escolhida.

Perguntas frequentes (FAQ)

Seção com respostas curtas às dúvidas mais comuns sobre uso do CID na candidíase. Consulte a seção de FAQ abaixo para perguntas completas e respostas detalhadas.

Recursos, referências e leituras úteis

Onde checar tabelas oficiais (p.ex. CID-10 nacional)

Para confirmar códigos, consulte sempre a tabela CID-10 oficial do país e o manual de codificação adotado pela sua instituição. As regras de codificação podem variar conforme atualizações nacionais ou sistemas de faturamento locais, portanto verifique a versão vigente.

Leituras recomendadas para codificação clínica

Procure manuais de codificação clínica, guias de auditoria e a documentação das autoridades de saúde locais. Essas fontes ajudam a resolver dúvidas sobre subcategorias e regras de combinação de códigos.

Sugestões de páginas relacionadas (sugestão de links internos para implantação): Candidíase (página principal); Sintomas da candidíase; Tratamento (visão geral).

Qual o código para candidíase vulvovaginal?

Use B37.3 quando o prontuário documentar candidíase da vulva e/ou vagina. Registre também sinais e resultados de exame que sustentem o diagnóstico.

Qual o código para candidíase oral em bebê (sapinho)?

Candidíase oral da cavidade oral e orofaringe é codificada como B37.0. Inclua descrição das lesões e, quando disponível, confirmação laboratorial.

Existe código para candidemia (infecção no sangue)?

Sim. A candidemia figura como B37.7. Utilize-o quando houver evidência laboratorial e documentação clínica de infecção sistêmica por Candida.

Quando usar B37.9 (não especificada)?

B37.9 cabe quando o prontuário relata candidíase sem especificar o local. Sempre que possível, substitua-o por uma subcategoria mais precisa ao obter informação adicional.

O CID altera a conduta clínica do paciente?

Não. O CID é um código para registro e comunicação. A escolha do tratamento e a conduta clínica dependem da avaliação médica e de exames, não apenas do código.

Onde confirmar o código exato para um caso específico?

Cheque a tabela CID-10 oficial do país ou o manual de codificação da sua instituição. Sistemas de faturamento locais também podem ter orientações adicionais.